sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Frans Hals

Frans Hals nasceu entre 1581 e 1585, em Antuérpia, Flandres. Incluído na escola holandesa do barroco, dono de um estilo naturalista e de uma técnica precursora do impressionismo, foi o verdadeiro criador do retrato coletivo em pintura.
Poucos anos depois de seu nascimento sua família mudou-se para a cidade holandesa de Haarlem, onde provavelmente trabalhou como aprendiz do pintor maneirista Carel van Mander. Por volta de 1610, começou a retratar a sociedade burguesa da Holanda a partir de uma estética realista, rica em cores.

A contribuição de Frans Hals para a arte foi sua habilidade para captar a expressão passageira. Seus quadros podiam retratar músicos, ciganos ou cidadãos respeitáveis, mas todos eram trazidos à vida, geralmente rindo e levantando uma caneca. Sua marca registrada são os retratos de homens e mulheres apanhados num momento de alegre diversão.
O quadro mais famoso de Hals, Laughing Cavalier (Cavaleiro Sorridente), retrata um tipo matreiro com um sorriso nos lábios, brilho nos olhos e bigode airosamente curvado para cima. Hals obteve esse ar de gabolice principalmente com o efeito das pinceladas. Antes dele, os realistas holandeses se orgulhavam de disfarçar as pinceladas para esconder o processo de pintura, aumentando assim o realismo do quadro. A “assinatura” de Hals eram golpes do pincel, fortes, à maneira de esboço.

Laughing Cavalier, 1624
Em sua técnica “alla prima”, que significa “de imediato em italiano, o artista aplica a tinta diretamente na tela, sem uma camada  de preparação, e termina o quadro com essa única aplicação de tinta. Embora as pinceladas de Hals sejam claramente visíveis de perto, assim como nas telas de Rubens e Velázquez, formam imagens coerentes à distância e captam com perfeição o imediatismo do momento.
Ele captou seu The Merry Drinker (Alegre Bebedor/Beberrão) congelando um momento de vida, os lábios separados como se prestes a falar, a mão no meio de um gesto.

The Merry Drinker, 1627.
Hals transformou a rígida convenção do retrato de grupo. Em seu Banquet of the officers of the St George Civic Guard (Banquete dos Oficiais da Companhia de Guarda São Jorge), o artista não retrata os componentes da milícia como guerreiros, mas como festeiros num alegre banquete. Antes dele, a tradição mandava que os artistas pintassem os membros do grupo como numa foto da classe, dispostos como efígies em fileiras bem demarcadas, Hals sentou-os em poses relaxadas em volta de uma mesa, interagindo naturalmente, com cada expressão facial individualizada.
[BANQUETE+DE+OFICIALES+DE+LA+MILICIA+CÃ VICA+DE+SAN+JORGE+EN+HAARLEM.jpg]
Banquet of the officers of the St George Civic Guard, 1627

Embora a cena pareça improvisada, a composição tem um equilíbrio de poses e gestos, unidos pelo vermelho, pelo branco e pelo preto. As diagonais barrocas de estandartes, faixas e golas pregueadas reforçam a sensação de orgulho da farra de jovens.
Os retratos sociais, alegres, das décadas de 1620 e 1630, revelam o talento de Hals para avivar, e não preservar, o modelo. Infelizmente, seu final de vida foi triste. Embora retratista famoso, o amor ao vinho e à cerveja mostrado em seus quadros transbordou para sua vida pessoal. Com dez filhos e uma segunda mulher brigona sempre com problemas com a polícia, Hals “enchia a cara” toda noite, segundo um amigo seu, e morreu de ostracismo.

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